O número de mortes e o número de acidentes de trânsito no país atribuídos ao consumo de álcool cresceram, respectivamente, 22% e 7% nos primeiros cinco meses de 2024, quando a comparação é feita com o mesmo período do ano passado. Os dados foram reportados pelo Portal do Trânsito no último dia 19 de junho.
“Conforme levantamento feito pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) a pedido da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), 77 pessoas perderam a vida em 1.507 acidentes ocorridos entre janeiro e maio deste ano. No mesmo período do ano passado, 63 pessoas morreram em 1.409 sinistros”, informou o veículo brasileiro de notícias sobre trânsito, mobilidade e sustentabilidade.
O diretor científico da Ammetra, o médico especialista em Tráfego Alysson Coimbra, avaliou como “inaceitável” o fato de que, 16 anos depois da criação da Lei Seca — Lei Nº 11.705, de 19 de junho de 2008 — “o Brasil ainda registre aumento no número de mortos em eventos evitáveis causados pela associação perigosa e criminosa entre álcool e direção por motoristas que insistem em desprezar a vida”.
De acordo com Coimbra, esse aumento de 22% das mortes causadas por acidentes de trânsito atribuídos ao consumo de bebida alcoólica é alarmante, visto que indica que, pela primeira vez desde 2019, a sequência de queda nesse sentido (bem como no número de acidentes) pode ser interrompida.
“Esses dados são um sinal de alerta para os especialistas, as entidades e as autoridades que atuam com a segurança viária”, enfatizou o diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego. “Precisamos evoluir em nossos mecanismos de fiscalização com operações mais eficazes e precedidas de planejamento e inteligência estratégica para atuar onde os infratores circulam. Paralelamente, devemos ampliar o teste de alcoolemia para toda e qualquer abordagem ou ocorrência envolvendo motoristas nas ruas, estradas e avenidas do Brasil”, alertou o médico especialista em Tráfego.
Conforme os números apontados pelo levantamento, foram realizadas 18.705 operações da Lei Seca no Brasil entre os meses de janeiro e maio deste ano. Fiscalizações essas que resultaram na aplicação de 4.013 infrações por constatação de direção sob efeito de álcool. Esse número, contudo, “pode ser muito maior, já que 17.332 infrações foram registradas por recusa ao teste de alcoolemia”, pontuou o Portal do Trânsito.
Para Alysson Coimbra, “fica muito difícil acreditar que quem se recusa a fazer o teste do bafômetro não tenha bebido”. Segundo ele, “quem recusa tem medo de ser enquadrado automaticamente em crime de trânsito”, e “essa é, infelizmente, mais uma das inexplicáveis brechas da lei”. Confira a íntegra da reportagem do Portal do Trânsito.